Nascimento da revista Bizz

BRUCE

Primeira edição

O primeiro diretor da Bizz foi o jornalista Carlos Arruda. Os editores foram, respectivamente, José Emílio Rondeau (1985-1987), José Augusto Lemos (1987), Alex Antunes (1987-1988), José Eduardo Mendonça (1988-1989), novamente José Augusto Lemos (1989-1990), André Forastieri (1990-1993), Celso de Salles Pucci (1993), Otávio Rodrigues (1993-1994), Felipe Zobaran (1994-1995), Pedro Só (1996-2000), Emerson Gasperin (2000-2001) e Ricardo Alexandre (2004-2007). Todos eram responsáveis pela escolha das pautas e da abordagem do conteúdo das edições.

José Eduardo Mendonça foi o primeiro chefe de redação, responsável pelo acompanhamento do trabalho da equipe de redatores, ilustradores e fotógrafos. Arruda e Mendonça foram os idealizadores da revista e, para adaptá-la ao espírito daquela época, contrataram diversos colaboradores envolvidos na cena musical de São Paulo, como os já citados Alex Antunes e Celso de Salles Pucci, além de Thomas Pappon, Bia Abramo e Rui Mendes, que era fotógrafo.

Além de jornalistas antenados às novidades do período, a revista se valeu de uma pesquisa realizada entre os presentes no primeiro Rock in Rio para definir o projeto editorial da publicação. Uma grande influência no projeto gráfico da revista foi o periódico inglês Smash Hits, voltado para o público adolescente, especializado em música (principalmente rock), mas que também dava espaço para tecnologia, videoclipes e cinema.

Com a promissora marca de 100 mil exemplares vendidos na  primeira edição, a Bizz se estabeleceu no mercado editorial com uma média de 60 a 70 mil revistas comercializadas mensalmente. Também gerou comoção entre o público leitor: após o lançamento do primeiro número, a redação da publicação recebeu mais de dez mil cartas de leitores.

Lançada em agosto de 1985, a primeira edição da Bizz apresentava o músico Bruce Springsteen na capa. Dividia-se entre as matérias principais e as seções “Show Bizz”, “Parada”, “Lançamentos”, “Vídeo Bizz”, “Ao Vivo”, “Visual Cinema”, “Clip”, “FM”, “Porão”, “Letras”, “Cifras”, “Equipamento”, “Meu Instrumento”, “Bits Bizz”, “Discoteca Básica” e “Opinião”. O editorial foi assinado por Victor Civita, então presidente da Editora Abril.

idolosdorock

Suplemento Ídolos do Rock

No ano seguinte, com a introdução do Plano Cruzado, a revista lançou títulos especiais como o “Ídolos do Rock”, que eram revistas-pôster apresentando as bandas do momento, e o “Letras Traduzidas”, mais focado, como evidencia o título, nas letras das músicas. Paralelamente, neste contexto de avanço do consumo, a Editora Abril associou-se à Editora Azul, que se tornou responsável pela publicação da Bizz ao final de 1986.

Porém, com o fim do Plano Cruzado, em 1987, antigos problemas econômicos do Brasil voltaram à tona, como a alta da inflação. O mercado editorial passava por um processo de retração, fazendo as poucas concorrentes da Bizz (Roll e Somtrês) entrarem em declínio. Desta forma, a revista se tornou única no segmento, tendo sua repercussão alavancada.

Naquele mesmo ano a Editora Azul criou a revista Set, especializada em cinema, remanejando parte da redação da Bizz para a nova publicação. A decisão editorial buscava atender a demanda de mercado de ambas as revistas. A direção da redação da Bizz, então, foi assumida pelo jornalista José Augusto Lemos.

Em 1989, mudanças no cenário musical brasileiro trouxeram novos desafios à revista. As gravadoras começaram a investir na divulgação de artistas como Beto Barbosa, Leandro & Leonardo, Chitãozinho e Xororó, Molejo, Katinguelê e Sampa Crew, que não se enquadravam na linha editorial da Bizz. Alex Antunes comenta esta alteração:

“Tem uma transição muito rápida no final da década, em 88, 89… O rock que parecia hegemônico, muito firme no mainstream [gosto da maioria], é rapidamente substituído por uma série de gêneros: o axé, o sertanejo, o pagode paulista. Isso muda drasticamente o contexto”.

Um ano depois, em 1990, estreava a MTV Brasil, cuja programação, 24 horas no ar, variava entre a divulgação de música, através de videoclipes, e o jornalismo musical, com programas informativos. Apresentando maior quantidade de novidades nacionais e internacionais, a franquia nacional da emissora norte-americana arrebanhou parte do público da revista. Essa concorrência provocou mudanças profundas na Bizz, a esta altura já muito diferente da Bizz da década anterior. Nos anos 1980, a revista era uma aliada da MTV norte-americana, da qual recebia os vídeos que posteriormente descrevia e ilustrava com frames na seção “Clip”, fazendo uma conexão entre a emissora e os jovens brasileiros muito antes da criação da franquia brasileira.

sampacrewEm 1993, a revista teve o seu projeto editorial revisado. Se em 1985, ano de sua primeira edição, o rock nacional de Legião Urbana, RPM e Ultraje a Rigor estava em seu período mais importante, no terceiro ano da década de 1990, como visto anteriormente, o foco das grandes gravadoras era outro. À época, por exemplo, eram lançados os discos “Tudo por Amor”, de Chitãozinho e Xororó, “Leandro & Leonardo Volume 7”, “Super Mix: Eterno Amor”, do Sampa Crew, e “Neguinha”, de Beto Barbosa.

Estas mudanças no cenário nacional levaram a Bizz a lançar naquele mesmo ano uma edição que tinha como matéria de capa a renovação da música brasileira (edição nº 94). Era citada a formação de uma suposta “nova MPB”, que apresentava as bandas Skank, de Minas Gerais, e o grupo punk Okotô, de São Paulo. O texto assinado pelo então editor André Forastieri explicava o contexto daquele período:

“Vejam só que combinação promissora. De um lado, a falta de perspectivas da ‘crise’ – de que ninguém aguenta mais ouvir falar e já virou desculpa para tudo, de incompetência à falta de ousadia e imaginação. Do outro, o horizonte infinito de perspectivas da adolescência/juventude. E é infinito mesmo: eis o Sepultura, ícone dessa geração, provando ser possível sair da garagem para o mundo.   Esse mix tinha que render alguma coisa, e está rendendo. Melhor ainda, a indústria da música está tendo que se adaptar voando aos novos tempos. Entre o futuro hiper-tecnológico e o presente sem grana, a Bélgica e a Índia, as possibilidades mirabolantes e as necessidades de um mercado que começa a alçar voo, está a nova MPB – agora, Música Pop Brasileira”.

Posteriormente, em 1994, ocorreu uma nova mudança na economia brasileira com a introdução do Plano Real, que desencadeou o início da ascensão de classe C e, consequentemente, o lançamento de revistas mais populares. A jornalista Marília Scalzo, no livro “Jornalismo de Revista”, explicou essa alteração no mercado editorial:

“O maior acontecimento no mercado de revistas brasileiro nas últimas décadas se deu na esteira do Plano Real. Com a estabilidade da moeda, a população das classes C e D experimentou um aumento real dos rendimentos (pelo menos nos primeiros anos do Plano) e conseguiu, ainda que timidamente, entrar no chamado mercado consumidor. (…) As editoras, de olho nessa fatia emergente de público, começaram a publicar títulos populares, (…)”.

BROWN

Assim em outubro de 1995, a Bizz se tornava Showbizz. Para se adaptar ao novo público que surgia com as mudanças econômicas, a revista apostou em um formato maior e abreviou o texto para dar mais espaço a fotos e ensaios sensuais. Também  alterou a linguagem para dialogar com os adolescentes. Apenas como exemplo, a capa da primeira edição da Showbizz, que destacava o músico Carlinhos Brown, no canto inferior esquerdo estampava uma foto da cantora Dora Vergueiro seminua com a seguinte chamada: “Você precisa VER essa voz”.

Ao final de 1997, após críticas dos leitores, os ensaios sensuais foram excluídos. Outros aspectos do conteúdo, bem como a linguagem, também foram readaptados em uma tentativa de voltar ao jornalismo de qualidade que deu credibilidade à publicação junto ao público e ao segmento artístico da década de 1980.

Em 1998, o jornalista Pedro Só chegou à Bizz para ser o novo editor-chefe. Com ele, a revista passou a focar outros estilos além do rock, como a MPB. O projeto gráfico da revista também foi novamente alterado, tornando-se mais sóbrio e equilibrando a relação entre texto e imagem. A Showbizz buscava recuperar seus antigos leitores.

Em maio de 2000, a revista passou a ser publicada pela Editora Símbolo, que fez um acordo com a Editora Abril para publicar o título. Porém, Pedro Só não aceitou continuar responsável pela redação da revista. Foi sucedido por Emerson Gasperin, que apostou no lançamento de edições histórico-especiais e abriu espaço editorial para a inserção de raridades do pop brasileiro e da música eletrônica. Em setembro de 2000, a Showbizz voltou a se chamar Bizz. No editorial assinado por Gasperin, entende-se um pouco sobre a mudança de rumos da revista:

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“(…) a revista chega às suas mãos completamente diferente neste mês. Mais organizada, mais bonita, com mais informação. Para a capa, simbolizando esses 15 anos de metamorfoses e reinvenções, uma artista que também já fez o diabo no mundo pop. (…) A essas alturas, você já percebeu que o clima aqui é de ‘cachorrada lambendo a cria’. É que, de tanto entrevistar figuras da música, acabamos pegando alguns de seus cacoetes. Um deles é sempre dizer que o último trabalho é o ponto alto de sua carreira. Pois bem: estamos convencidos de que esta edição dá de goleada na anterior. Mas, com certeza, nem chegará perto da próxima”.

O declínio da revista começou em 2001, quando Abril e Símbolo rescindiram o contrato e a primeira editora descontinuou o título. A partir deste momento, a Bizz se tornou apenas uma marca utilizada para a publicação de edições especiais inteiramente dedicadas a momentos da música ou músicos específicos.

A ausência da revista foi percebida pelo público e contestada nas redes sociais, notavelmente no Orkut. Nesta rede social, a Bizz tinha uma comunidade cuja marca de participação ultrapassava 1.000 membros. A dimensão do grupo espantou até mesmo o seu criador, o leitor Elson Barbosa. Criado em abril de 2004, o fórum chegou mesmo a atrair a atenção e participação de antigos redatores. De acordo com Barbosa:

“A comunidade começou a crescer, e eu comecei a reconhecer nomes. Até estranhei. Lembro que o primeiro nome conhecido que eu vi lá foi do Fábio Bianchini. Entrou lá, postou alguma coisa e eu pensei: ‘Pô, mas espera aí, eu conheço um tal de Fábio Bianchini lá da revista. Não é possível que seja o mesmo cara que escrevia na Bizz’. Aí apareceu lá o Alex Antunes e começou a postar”.

Atenta a esta movimentação na rede, a Abril recolocou a Bizz no mercado através do seu Núcleo Jovem, setor da editora responsável por publicações dirigidas a adolescentes e jovens adultos e que abrange outros títulos como Guia do Estudante, Almanaque Abril, Mundo Estranho, Aventuras na História e Superinteressante.

losermanosRicardo Alexandre, jornalista que integrava este núcleo e trabalhou na Bizz no começo da década de 1990, foi convocado para a recolocação da revista no mercado em 2004. Então a Bizz começou a ser publicada em números colecionáveis, em sua maioria baseados em listas, como “As 100 maiores capas de discos de todos os tempos” e “Os 100 maiores shows no Brasil de todos os tempos”. Em 2007, foi publicado o último número da revista, com uma reportagem de capa assinada por Alexandre sobre o adeus da banda Los Hermanos, intitulada “O Último Show”.

História da Bizz

História da revista Bizz

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