Edições de 1989 – Adeus, anos 1980

capadepecheAté a edição lançada em março de 1989 (nº 44), a Bizz mantinha o mesmo conteúdo apresentado na segunda metade do ano anterior. Porém, em abril (nº 45), a publicação alterou mais uma vez o projeto gráfico. Naquele mês, o logotipo foi reformulado e a Bizz foi distribuída, pela primeira vez, com duas opções diferentes de capa, destacando, em uma, a banda Picassos Falsos e, em outra, a Legião Urbana. A seção “Cabra-Cega”, publicada eventualmente, tornou-se fixa, e foi inaugurada a seção “Zona Franca”, dedicada a discos internacionais, prensados ou não no mercado fonográfico brasileiro.

Tais mudanças provavelmente foram motivadas pela alteração na cena musical brasileira ocorrida naquele ano. O rock nacional, na moda entre 1985 e 1988, começou entrar em declínio. As gravadoras optaram por investir no gênero sertanejo (Leandro & Leonardo e Chitãozinho e Xororó), no pagode (Katinguelê e Sampa Crew) e em artistas do estilo conhecido como brega (Beto Barbosa).

PRINCEAs alterações na Bizz tornam-se mais visíveis na edição de julho de 1989 (nº 48). O projeto gráfico aparece drasticamente reconfigurado. Com o logotipo da revista ocupando quase metade da capa e um design mais dinâmico, a publicação explicava esta mudança aos seus leitores no editorial, que não apresentava assinatura:

“Surpresa! Isto você já deve ter sentido ao ver esta edição mais do que especial. Chegamos ao quarto aniversário  de BIZZ e o melhor presente é o salto para uma nova fase – e para uma nova década. Por isso, as mudanças editoriais iniciadas em abril – com a capa dupla Legião Urbana/Picassos Falsos e Black Future – são agora complementadas com um novo visual, ao mesmo tempo mais estimulante, dinâmico e em constante diálogo com os textos, matérias e entrevistas. Esperamos que vocês gostem e continuem escrevendo à Redação opinando, sugerindo e criticando como têm feito nestes quatro anos”.

Nesta edição, em consonância com as mudanças, o músico americano Prince, conhecido pelo visual extravagante, ilustrava a capa. O texto da matéria principal ficou por conta de José Augusto Lemos, que analisava o papel de Prince na década de 1980 e o qualificava como um artista “(…) muito acima do rebanho pop”. (Bizz, edição 48, 1989, p.41) Outro medalhão presente neste número foi Paul McCartney. A reportagem de Anamaria G. de Lemos, intitulada “Nessa Longa Estrada da Vida” (Bizz, edição 48, 1989, p.49), apresenta uma entrevista com o ex-Beatle em Londres, enfocando o retorno de McCartney ao cenário musical em 1989, quando lançou o disco “Flowers in the Dirt”, após um hiato de três anos sem músicas inéditas.

A década de 1980 chegava ao final. Ainda apostando em novidades, a Bizz estampou a banda Sugarcubes na capa da edição 53 (dezembro). Formado na longínqua Islândia, o grupo liderado por Björk, naquele período, era a principal novidade no circuito europeu. A matéria principal, intitulada “Doce Deleite”, foi assinada por Anamaria G. de Lemos:

“Estamos em outubro de 87 – ou seja, no centro do redemoinho que cerca a ascensão dos Sugarcubes ao posto de banda mais adorada pela imprensa europeia. Jornais e revistas debatem-se por uma entrevista, capas se multiplicam. O universo particular dos Sugarcubes é investigado até a exaustão. Sem resultado: as respostas do grupo seguem uma lógica tão impenetrável quanto suas letras, A Melody Maker, responsável pela descoberta, faz sua segunda entrevista em apenas dois meses, arrancando pérolas como as descritas acima. E tudo isso por causa de um simples compacto…”.

capasugar

A revista chegava à década de 1990 com a mesma ousadia da primeira edição. A análise de conteúdo evidenciava a sua preocupação, ao longo destes cinco anos, em apresentar todo o contexto musical produzido em diversos países desde o surgimento do rock nos anos 1950. E a Bizz cumpriu essa tarefa em sintonia com as principais publicações do exterior, muito mais próximas à informação.

Entre 1985 e 1989, a Bizz foi uma das fontes de informação mais completas para o público leitor no país, abrangendo diversos assuntos. A publicação introduziu a cultura musical no cotidiano dos brasileiros, fazendo-os acompanhar, além de suas bandas favoritas, a história da própria geração. Não é à toa que os principais críticos da Bizz na década de 1980, Pepe Escobar, Bia Abramo, Alex Antunes, Sônia Maia, Celso Pucci, entre tantos que assinaram matérias nas páginas da publicação, são referência até hoje dentro do jornalismo musical.

História da revista Bizz

História da Bizz

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