Edições de 1988 – Leves mudanças e novidades

capaduranAlex Antunes continuou como editor-chefe da Bizz até a edição de abril de 1988 (nº 33). No número seguinte (34), foi substituído por José Eduardo Mendonça, que havia sido o primeiro redator-chefe da publicação. A linha editorial não sofreu alterações marcantes, mas afastou-se um pouco da empregada por Antunes. Se o seu predecessor se destacou por dar destaque às bandas desconhecidas e independentes, com matérias extensas, Mendonça abreviou o espaço dedicado a elas, reunindo-as em uma nova seção, “Brasil”, inaugurada na edição número 38, de setembro daquele ano. Essa nova parte da revista publicava, nas páginas finais, notas sobre bandas nacionais independentes e, na edição em questão, assinada por Sônia Maia, foram citadas duas bandas iniciantes:

“Vem da periferia do Rio de Janeiro, mais precisamente do município de ltaboraí, o som do grupo Tubarões Voadores – um rock básico com dentadas no reggae e hardcore. Formado em meados de 84 por Sérgio Espírito Santo (vocal/letras) e César Henrique (baixo), eles vêm realizando shows, alguns até em praças públicas. (…) Na terra do rock inglês, o blues começa a tomar espaço e encher de azul os bares noir de Brasília. Bons ventos trazem a Filial Blues Band, novidade no rico solo candango. Rogério (bateria), Adalba’s (baixo), Alex (guitarra), Alex (sax), Sérgio (guitarra) e Militão Ricardo (vocal e guitarra base) fazem um som da maior qualidade”.

A capa, além das matérias principais da edição em questão, foi dividida entre os Engenheiros do Hawaii, naquela época já consolidados no cenário musical, e novamente Bruce Springsteen, que havia recentemente realizado um show em Londres. A reportagem principal era sobre os dez anos de existência dos Engenheiros, intitulada “Jogando uma Pelada na Primeira Divisão” (Bizz, edição 38, 1988, p.37), que analisa a ascensão da banda no cenário nacional. Springsteen, por sua vez, ganhou resenha extensa sobre o show realizado no Wembley Stadium, em 25 de junho daquele ano, assinada por Pepe Escobar, que começou o texto da seguinte forma: “Este show durou exatamente quatro horas e vinte minutos. Vai entrar em algum Guinness de fanáticos como uma das mais longas performances da história do rock´n´roll”. (Bizz, edição 38, 1988, p.80)

capaahaAlém dos dois músicos, foi destaque um inusitado especial sobre bandas pioneiras do gênero hip-hop, indicando o músico caribenho Joseph Saddler (conhecido como Grandmaster Flash). Assinado por Marcel Plasse, o texto sobre novidades do estilo, intitulado “À Sombra dos Arranha Céus” (Bizz, edição 38, 1988, p.30), introduz ainda outros músicos, como o americano Afrika Bambaataa (codinome de Kevin Donovan) e seus conterrâneos da banda de rap rock Run-D.M.C. É notável a preocupação em apresentar o contexto da criação do gênero, que começou muito antes da década de 1980, aos brasileiros:

“Tudo começou por volta de 74 no Bronx, como reação à disco music. Disco não tinha swing, era uma forma dura (branca) de dançar. A saída era encontrar inspiração em outros estilos. Mas os DJs da época se frustravam ao perceber que seu público só se entusiasmava com as quebradas, os breaks, que originalmente duravam apenas segundos. Desse modo, os primeiros sound systems foram adaptados para realizar ao vivo o alongamento de certas passagens de uma música, através da utilização de dois toca-discos, um mixer e duas gravações da mesma música. O pioneiro desta técnica foi um imigrante jamaicano chamado Kool Herc, mas o mais famoso, sem erro, era Grandmaster Flash”.

Já a edição seguinte (nº 39, de outubro) colocava em evidência a banda irlandesa U2, bastante conhecida no Brasil àquela altura. O texto assinado por José Emílio Rondeau, intitulado “Fogo e Paixão” (Bizz, edição 39, 1988, p.31), analisou um momento áureo na carreira do grupo, que atingira a marca de 12 milhões de cópias vendidas do LP “The Joshua Tree” (1987), e saíra vencedor na 29a edição do prêmio Grammy, na categoria de melhor música do ano, com “I Still Haven’t Found What I’m Looking for”.

O gênero heavy metal também marcou presença nesta edição. Acompanhado pela Bizz desde 1985, o estilo de rock pesado passava por uma atualização em 1988. Precedidas pelo Black Sabbath e pelas brasileiras Sepultura e Ratos de Porão nas páginas da revista, as bandas Anthrax, Slayer e Vixen, todas formadas nos Estados Unidos, ganharam destaque neste número. Em matéria intitulada “A Nova Geração do Metal”, José Emilio Rondeau relatou de Los Angeles esta renovação do gênero:

“A revitalização do heavy metal trouxe à tona toda uma nova geração de grupos, assim como uma série de nuances de estilo. Pouco a pouco, eles vêm substituindo os velhos dinossauros na preferência das plateias mais ensandecidas do planeta. Com vocês, Anthrax, Slayer, Vixen – os novos nomes do insustentável peso do rock. (…) O metal de hoje em dia não é apenas heavy: de soft a speed, de death a thrash, as variações são muitas, embora raízes comuns possam despontar em origens remotas. Ou seja, bandas que hoje disputam mercados diferentes e rezam por credos conflitantes poderiam muito bem estar ouvindo os mesmos discos, digamos, cinco anos atrás”.

História da Bizz

História da revista Bizz

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