Edições de 1986 – Consolidação e novidades

capamorriseyNa quinta edição, de dezembro de 1985, foi encartado na revista um suplemento com um pôster do músico inglês David Bowie. A partir do número 9, de abril de 1986, esta inovação seria transformada em um suplemento chamado “Ídolos do Rock”, revistas-pôster com inúmeras fotos das bandas do momento. Além disso, a Bizz, que já contava com uma seção chamada “Letras”, dedicada à tradução de músicas, ampliou-a nesta mesma edição, lançando o suplemento “Letras Traduzidas”.

Essas inovações foram possíveis devido à ascensão do Plano Cruzado naquele ano, que elevou o consumo do país e, paralelamente, alavancou a publicidade voltada para o público jovem. Lançada pela Abril, editora de grande porte, a Bizz tornou-se a única revista de música distribuída no Brasil inteiro. Na época, as revistas Roll e SomTrês, suas concorrentes, entraram em declínio. A Roll, publicada por uma editora independente, não suportou as pressões do mercado. A SomTrês, da Editora Três, mais conhecida por tratar de assuntos como instrumentos e aparelhagem de som, não conseguiu fazer frente à Bizz.

Ainda em 1986, o punk rock e a crescente cena pós-punk da Inglaterra ecoavam em diversas capitais do Brasil, especialmente em São Paulo, Brasília e Porto Alegre. Então foi criada, na edição nº 10, de maio, a seção “Os Mal Humorados Filhotes do Punk Rock”, que em sua primeira aparição indicava a banda punk brasiliense Plebe Rude, em texto assinado por Tom Leão, além do grupo gaúcho Os Replicantes, em matéria assinada por Marcel Plasse:

“A história d’Os Replicantes compactua com o roteiro romântico das incendiárias garage-bands dos 50 e da retomada punk dos 70. Três amigos resolvem aprender a tocar, adquirem os instrumentos e, aliados a um quarto que da noite pro dia descobre-se cantor, atiram-se às feras”.

Com a consolidação da revista no mercado editorial, e a criação de um público fiel, a Bizz manteve-se na vanguarda e, na edição número 13, do mês de agosto, deu destaque de capa a outro ídolo controverso: o cantor e guitarrista americano Billy Idol. Naquele período, Idol estourava nas rádios do mundo todo com as músicas “Dancing With Myself” e “Eyes Without a Face”. O problema era que Idol tocava punk rock, gênero de estilo agressivo, conhecido pela aversão ao sucesso. Porém o músico acrescentava o glamour do hard rock e forte apelo do pop às batidas rápidas do gênero. Isso gerou o repúdio dos punks brasileiros, e por isso, o editorial, assinado pelo chefe de redação José Augusto Lemos, explora essa contínua verve da revista em provocar e instigar o leitor:

“Experimente mencionar o nome Billy Idol perto de um punk. Eles não só odeiam o rapaz como o consideram um traidor do movimento, embalando sua ideologia em uma açucarada versão garoto-propaganda: bonitinho mas inofensivo. Pois no entrevistão deste mês, o próprio ‘ídolo’ responde e bem a essas e outras acusações, aproveitando para dar umas palavrinhas sobre o seu novo LP que, dizem, está muito bom mesmo, mantendo o apelo pop dos hits ‘Dancing with Myseif’ e ‘Eyes Without a Face’, sem deixar cair a peteca”.

Uma mudança importante ocorreu na edição número 15 (outubro), que destacava Morrissey, vocalista da banda The Smiths. A Bizz passou a ser publicada pela Editora Azul após um processo de associação entre empresas, conhecido como joint venture. A Azul, especializada em títulos segmentados, diminuiu a tiragem da revista, que ficou em cerca de 100 mil exemplares mensais.

Outra inovação desta mesma edição foi a apresentação da matéria “Estilo Rock”, sobre as novas tendências de moda criadas pelo gênero, como na matéria assinada por Pepe Escobar, na qual era retratado o estilo “dark”, em alta no Brasil na década de 1980:

“Dá para escapar dessa palhaçada? Dá. E só pensar um pouquinho a sério – com ou sem roupa preta: quem sabe o que anda pela sua cabeça anda com a roupa na qual se sente bem, não atrás de modismos impingidos por descerebrados”. 

A edição 17, de dezembro, traz uma história engraçada envolvendo o jornalista Alex Antunes e o diretor Carlos Arruda. Antunes propôs que fosse feita uma edição especial de natal com uma figura controversa na capa. Sugeriu que João Gordo, vocalista da banda paulista Ratos de Porão, ou Marcelo Nova, vocalista do grupo baiano Camisa de Vênus, se vestissem de Papai Noel para a capa da revista. Após receber a sugestão, Arruda aprovou em parte, estampando a capa da revista com um músico vestido de “bom velhinho”. Porém, o músico não era João Gordo, e sim Paulo Ricardo, vocalista do RPM e maior ídolo das garotas brasileiras naquele final de década. Alex Antunes comentou o caso:

PAULO-RICARDO“Eu levei uma ideia para a reunião de pauta que era para a edição de Natal, fazer uma capa com alguém tipo o João Gordo ou o Marcelo Nova vestido de Papai Noel. Todo contente, falei na reunião de pauta: ‘Tive uma ideia!’. O [Carlos] Arruda falou: ‘Ótimo, ótimo, só que nós vamos botar o Paulo Ricardo!’. Aí eu falei: ‘Nãããão, nããããããããão!'”.

História da Bizz

História da revista Bizz

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